terça-feira, 8 de setembro de 2009

Encalços e percalços, parte dois

Estávamos falando do Goethe, um poeta e filósofo alemão, que foi quem disse que “quando desejamos profundamente algo, todo o universo conspira para que possamos realizá-lo”. Pois então, acho muito feliz essa afirmação. É incrível observar a dinâmica dos acontecimentos quando nos propomos a fazer algo novo. Não precisa nem ser algo grande não, como foi essa nossa viagem, por exemplo. Chamo de grande considerando a nossa perspectiva, dentro da nossa realidade. Para outros uma viagem à Índia pode não representar um grande feito ou realização de coisa alguma.

Mas, seja qual for o novo empreendimento, uma simples mudança no jardim pode proporcionar uma experiência de integração com a natureza e com a dinâmica do cosmos (ou o contrário - o afastamento, dependendo do empreendimento). Temos a oportunidade de observar e vivenciar “forças maiores” regendo a orquestra dos acontecimentos, colocando pessoas e criando situações que se encaixam como peças num quebra-cabeça. Seja “encurtando” o caminho e facilitando as coisas, ou mesmo aquelas situações aparentemente “negativas”,mas que surgem por uma razão maior, seja para desafiar nossa persistência ou pôr em provas nossa paciência. Acho que sempre o objetivo primeiro de toda empreitada é o aprendizado que se adquire durante o caminho, então, dentro dessa compreensão, “tudo é divino e maravilhoso”, como dizia Gal.

Falamos dos partos dos documentos, do dinheiro, mas não falamos DO parto, literal e propriamente dito. Tivemos um parto mesmo, de criança nascida, em meio a essa montoeira de funções administrativas, de repartições públicas, filas, protocolos, carimbos e assinaturas. Nosso menininho já nasceu com a mala feita e a passagem comprada. Aliás, é interessante falar do processo de compra dessa passagem.

Quando decidimos ir, o primeiro passo que demos foi tentar achar as passagens o mais barato possível. Pesquisa noite adentro na internet, rota e empresa mais viável (financeiramente, é claro), achamos! Primeira participação do cosmos, pois era inacreditável o preço comparando com o que já tínhamos encontrado. A reserva era mantida por apenas dois dias, hahahahha que engraçado! Como arrumar o dinheiro em dois dias? Não podíamos perder aquela oportunidade que poderia ser única. Pronto, sucumbimos na primeira dificuldade.

Que nada! Ritual de arrumação e limpeza do carro velho durante todo o dia e madrugada afora. Um verdadeiro desmanche: desmonta a porta, arruma a maçaneta, tira o banco e só aí é uma experiência arqueológica. Várias estórias reveladas embaixo daquele banco. O brinquedinho dos primeiros meses de Tatá, pedras carregadas de qualquer mato, restos de comida, as mil canetas perdidas e várias moedas para ajudar na causa. Finalização com direito a incenso e oração, para que a pessoa que adquirisse o carrinho mesmo que velhinho pudesse desfrutar de boas experiências dentro dele, como nós tivemos.

Dia seguinte na feira: doce inocência acreditar que alguém abordaria dois barbudos e cabeludos, vestidos apropriadamente para uma festa hippie dos anos 60. Ninguém! Um dia inteiro e nenhuma curiosidade para perguntar quanto custava o nosso idoso. No final do dia, derrotados é claro.

Não mesmo. Hora de ativar o plano B. Quem seria a pessoa escolhida pela nossa Fênix renascida das cinzas? É claro que só a mãe para pegar o rabo, ops, ou melhor, o “touro pelo rabo”!
Minha sogra tinha um carrinho, também velhinho, porém mais fácil e rápido de vender no mercado. Aceitou a demanda e, no dia seguinte, trocamos os “enguiços” e peregrinamos pelas tantas concessionárias de Belo Horizonte “À Procura de um Milagre”! E eis que a água se transformou em vinho.

Com o dinheiro na mão, o próximo impasse era a escolha do nome do neném. Com essa não contávamos! Tínhamos que comprar a passagem já com seu nominho, mas estávamos com apenas 3 meses de gravidez, não sabíamos o sexo, quer dizer, oficialmente pelas vias ultrasonográficas, porque intuitivamente já o chamávamos de menino. Mas, e se a intuição tivesse mal sintonizada? A nossa menininha ia chamar Ravi?

Como correr riscos já vem registrado nos “samskaras” dessa família, esse seria só mais um para incluir na nossa “cota de karmas”. Compramos as passagens e aí começa outra estória.

Cris