
sábado, 18 de julho de 2009
A evolução dos bichos, o retrocesso do homem

terça-feira, 14 de julho de 2009
New indian way of life

Mas as pessoas, mesmo algumas que já moraram na Índia , muitas vezes não refletem à respeito de como está hoje em dia o desenvolvimento da espiritualidade indiana.
Sim, ainda existe uma tradição religiosa na Índia. Aglutinada nos Ashrams -me refiro aos verdadeiros e não às "pousadas" que mantém esta denominação para garantir seu quinhão do governo ou ganhar mais uns tostões dos turistas - demonstrada nos rituais, pujas, aratis e em outras tantas manifestações, que às vezes mais me parecem culturais do que essencialmente "espirituais". Se são meramente "mecânicas" ou imbuídas de um sentimento verdadeiro de religiosidade, não posso precipitar-me em dizer - fato é que já vi um brâmane interrompendo um puja que estava conduzindo para atender ao celular! Mas isto é apenas um fato, não suficiente para criar uma teoria.
Cris
domingo, 5 de julho de 2009
Pela janela do trem
Há muito tempo que eu não andava de trem. A paisagem comum na Índia é monótona e não sei dizer muito bem se é porque o tempo parece parar ou por serem quilômetros e mais quilômetros de planícies, pastos e plantações, e por vezes terras áridas como os cerrados e desertos. Quem é ansioso nunca poderia andar de trens comuns por aqui . No Nepal andávamos sempre de ônibus, e lá as estradas são sinuosas com paisagens cheias de montanhas. Além do fato de você poder viajar sobre o teto, o que muda a noção de tempo e a perspectiva de percepção da viagem, já que é bem mais emocionante.
Fico olhando pela janela estes lugares que ninguém quer visitar e sinto constante vontade de descer do trem, caminhar pela paisagem bucólica, descansar debaixo da sombra de alguma árvore.
Poderia ficar dias nesses lugares que não interessam a ninguém. Fazer pic-nic com as crianças, brincar de subir nas poucas árvores, brincar de esconder nas fileiras das plantações.
Dormir ao relento em lugares assim não tem coisa melhor. Nada para perturbar o silêncio que reina de noite e de dia.
Penso que essas "terras de ninguém", são o extremo oposto dos Taj Mahals e "praias douradas de Goa". Sábia decisão a de não ir conhecer esses lugares. Provavelmente tirariam mais a minha paciência, com seu turbilhão humano e futilidades turísticas, do que a monotonia do trem.
Triste pensar que ninguém vê beleza nestes lugares singelos, mas ao mesmo tempo é bom pensar que tenho essa imensidão "só para mim", e se eu quisesse mesmo descer teria esse monte de possibilidades de desfrute para no máximo eu e minha família. Falo isso porque tenho certeza que as raras pessoas que vivem no local também não devem achar graça nenhuma. Mas para mim essa paisagem aparentemente sem graça poderia se transformar numa espécie de éden particular, e eu, Adão com sua Eva e um bando de filhos para povoar o paraíso que só eu acho graça.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Sapera, o "encantador" homem das serpentes
Na verdade, o ato de "encantar" serpentes consiste em capturar a atenção da cobra através do movimento. Como o animal é surdo, só pode perceber a vibração do som. Já li em algum lugar, que eles passam urina de rato na ponta das flautas, para atrair o olfato da serpente e mantê-la em alerta.
O fato é que o homem fazia uma "dança" muito louca com o corpo, agachado na posição de cócoras enquanto tocava a flauta.
Quem quase entrou para a família também foi o Damião, que andou se engraçando pela filha mais velha de Sapera. O pior é que surgiu mesmo um clima romântico, aparentemente avalisado pelo próprio pai, que estava a fim de casar a filha logo. Mas acabou que a coisa não foi para a frente, damião não ficou na Índia, não trouxe a moça e tudo ficou por isso mesmo, no plano platônico. Ainda bem, já pensou ter um sogro encantador de serpentes? Se você aprontar alguma, pode acordar com uma serpente na cama...
Infelizmente a profissão de encantador de serpentes é algo que vai se tornando cada vez mais rara, e não faz a cabeça de nenhum jovem indiano. A maldita globalização vai mandar essas figuras para algum museu do esquecimento e no futuro as pessoas só vão saber o que é isso através do google ou documentários.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
E por falar em saudade...

Estamos sempre com saudade de alguma coisa...

quarta-feira, 17 de junho de 2009
I know It´s only rock ´n roll
Que emoção que foi quando avistamos aquela figurinha de meio metro de altura, rebolando mais que o Ney Matogrosso, com trejeitos e bocas do líder secular dos Stones. Descobrimos o Mick Jagger nepalês, em carne e osso. Tio Mick andou aprontando as suas lá pelas bandas do himalaya. Tenho certeza, esse molequinho só pode ser filho dele. Infelizmente, e como sempre, estávamos despreparados para filmar ele dançando e piscando com suas caretas fantásticas, uma pena, pois o negócio mesmo era o movimento, ele era puro movimento. Antes da dança, ele fazia um show de asanas ( tudo bem pessoal, sem mau humor, eu sei que vivo falando mal disso) de deixar qualquer um torto só de ver. Tenho certeza que ele tem sangue de minhoca misturado com o do Mick.
domingo, 7 de junho de 2009
Os mergulhos no Ganga

Uma curiosidade que me assombrava... qual a sensação de um mergulho no Ganga?
Até que chega um dia, depois de muitos mergulhos, o frio ainda existe mas já não é algo relevante, e acontece só nos primeiros instantes . E a partir daí começamos a curtir de verdade, sem esforço, passando a explorar mais sensações... aumentando as experiências na água, arriscando práticas inusitadas.
O vício do Ganga! Todos os dias tínhamos que tomar nossa dose diária de Ganga. Não fazíamos como os hindus, dando os três ou sete mergulhinhos sequenciais, mas como autênticos mineiros nos esbaldando na "praia". Ensaios de natação, travessuras até as "ilhas" de pedras, as chatíssimas mas inevitáveis brincadeiras de empurrar na água, jogar água fria, brincadeiras com a areia e até mesmo "cerimônias religiosas" fizemos, ao nosso jeito, sem "ritualísticas e retorísticas", sem formalidades e convenções...
O "batismo" do pequeno Ravi no colo de "Padim Damião", com uma oração curta, simples e sincera... o "casamento" de Tarzan e Jane (depois falo porquê Tarzan), orando e celebrando nossa união em mergulhos de limpeza e fé... até a cerimônia de jogar o dentinho de leite da Florinha com pedidos e tudo, fizemos no Ganga, além de outras vivências pagãs...
"Nossa", "mágico", "espiritual"... o mergulho no Ganga é tudo isso mesmo e muito mais.
Infelizmente está cada vez mais sujo, e não sei até quando ele vai sobreviver...
O fato é que essa "moça", mesmo sendo muito fria, deixou um calor eterno em nossos corações, na forma de muitas recordações.
Cris
O Ganga
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Dom Quixote contra os moinhos de vento

Algumas dificuldades são realmente difíceis de transpor, como dobrar os ossos, atravessar paredes e vencer a gravidade. Mas até mesmo isso pode-se dar um jeitinho.
Outras situações nos parecem difíceis. Algumas distâncias nos parecem grandes, algumas montanhas parecem inalcançáveis, alguns objetivos impossíveis. Até o primeiro passo...
A partir dele, se desistimos nos primeiros obstáculos, se não levantamos nos primeiros tropeços, temos a ilusão de que nossos receios se concretizaram. “Eu sabia que isso ia dar errado”, “ Bem que me avisaram”.
É preciso ter pulso firme para não sucumbir aos primeiros fracassos e não encontrar mil e uma justificativas “prudentes” para desistir e não ceder a tentação de se entregar a um cômodo “entreguismo” e literalmente entregar o ouro para o bandido, sem uma luta das boas. Tendemos a sempre fugir das batalhas necessárias. Assim como Arjuna quis fazer fugindo à guerra que iria restabelecer a justiça. Todas as justificativas que ele encontrou eram válidas, “reais”, “justas”. Mas negavam o seu dever maior.
“ É preciso estar atento e forte” para não temer ou não deixar que o medo paralise os nervos, a ação, o pensamento e a intenção.
Mas creio que não existe satisfação mais poderosa do que a vitória após a persistência.
Cris e Rô
"It's all in your mind" *
Reais até o primeiro passo.
A partir daí percebemos que é tudo uma questão de ponto de vista....
De percepção.
Às vezes a distância me parece grande....
Cris
* George Harrison no desenho Yellow submarine
domingo, 31 de maio de 2009
Ironias da vida - Trocando de papéis
A mãe certa hora perguntou o nome do meu filho e se surpreendeu quando eu disse: Ravi Chandra: " Indian name?" Como dizem sempre os indianos ao fazer a mesma pergunta. Quando perguntei os nomes das crianças, achei graça quando ela me disse : "Lucky and Happy!" American name?", eu disse..
sexta-feira, 29 de maio de 2009
O portal de entrada no Nepal
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Lua cheia em Rishikesh
Amanhecer no Ganga, visto das montanhas
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Incredible India

terça-feira, 26 de maio de 2009
" O que seria dos Himalayas sem o sol?"
E o que seria dos dois sem a nossa presença os percebendo e admirando?
Em uma ousada passagem de Gitanjali, o canto de oferenda, o poeta Tagore diz: "Ó Senhor, o que seria de ti sem o meu amor". Assim como o criador necessita do amor da criatura e de sua admiração e fidelidade, o criador e a criatura necessitam da experiência da consciência.
Necessitam do observador, "daquele que vê", o "vidente" - no sentido de alguém que vê.
Necessita de uma consciência que testemunha (sakshi) ou quer dizer, a existência que tem consciência (Sat-chita) de si mesmo, que se compreende como sendo o Ser, e não os "objetos" que o circundam com seu "brilho" próprio.
Quando digo objetos, me refiro ao sentido que Patanjali dá ao termo vishva, que significa mundo, ou universo e tudo que nele está contido, e que na concepção do Yoga clássico é referente a tudo aquilo que não é este Ser, essa "centelha de consciência" que somos.
Quando escrevo "brilho", quero me referir à fascinação, ao colorido, ao efeito que estes exercem sobre nós. Até mesmo a mente e os pensamentos fariam parte desse "mundo" que nos cerca, mas que verdadeiramente, "cerca" o Ser. Ou melhor seria dizer que "encobre", "superimpõe", como propõe o vedanta.
O ser seria um viajante carregando uma enorme quantidade de coisas. Alguns viajam levando o estritamente necessário, outros carregam uma enorme quantidade de tralha, coisas desnecessárias e supérfluas. Alguns levam sua existencia de forma simples, seu corpo, mente, sua expressão energética e vão anulando karmas, livrando-se de resultados indesejáveis de ações errôneas pregressas. Outros vão acumulando uma bagulhada lascada, carros, casas, terras, móveis, riquezas, posses e muita carga, seus karmas que nada mais são que suas ações e respectivos resultados e principalmente mágoas, rancores, manias, neuroses e traumas. Preocupações, problemas e irritações, uma carga muito pesada para se carregar ao longo da vida, geralmente disfarçada sob o nome de responsabilidade. E como é pesada a tal mala da responsabilidade. Como colocamos tralha nas costas para carregar.
O nome disso tudo em sânscrito é upadhi, e "superimposição" seria uma das possíveis e prováveis traduções. Tal qual um caracol, colocamos "nossa casa", nossa bagagem nas costas e saímos carregando pelo mundo. Um dia, todos nós teremos que ir nos livrando de tudo que pesa, de tudo que carregamos, para aos poucos ir nos transformando novamente naquele Ser simples, e ao mesmo tempo completo, ou seja, a nossa essência. É nossa escolha optar por ter que se livrar um dia de uma carga muito pesada, estando exaustos pela jornada, ou simplesmente tirar das costas uma bagagem mais simples e simplesmente ser feliz.
" As asas de ouro e o sentimento de papelão"
Você se engana
É tão difícil ver na frente
com seu medo.
Durante o dia,
se você deita...
a cama feita
o inimigo espreita.
Você estremece...
mas fica mudo de horror
e treme de pavor..
Durante a noite é diferente
tá tudo escuro.
Se você pensa no futuro,
cai no sono.
E nos seus sonhos, subtamente,
a cama feita, o inimigo espreita.
Você estremece...
mas fica mudo de horror
e treme, de pavor.
No outro dia o mesmo medo
a mesma hora.
A solidão vem desde cedo
lhe devora
Não adianta, ela não passa
Qualquer que seja a reza que você faça
Porque no fundo
você não pode suportar
a hora de arriscar!"
" Eu tenho asas, posso voar
posso voar bem perto, bem lá no céu
posso no ar morar
a voar, a voar."
*Obs: Quando a Flora chegou na Índia, teve uma crise de pânico e desespero e não queria nem descer do avião. Depois quando chegou em Rishikesh não queria voltar para o Brasil de jeito nenhum. As duas músicas que ela escolheu explicitam bem o antes e o depois, as duas situações na cabeça de uma menina senível de 11 anos. Ela colocou primeiramente a letra da música "Corra o risco" do primeiro lp da Olivia Biyngton de 1978, antes dela virar mais uma cantora de mpb chata e sem sal e a outra música é do genial Marcos Valle, na fase que ele já tinha rompido com a turma da bossa nova, em 1974. Duas músicas que não saiam do walk-man dela. Quem curtir música antiga pode procurar nos blogs da vida.
Cris
A serpente de ouro
"O crepúsculo é a fresta entre os dois mundos", disse certa vez o velho brujo Don Juan, o índio Yaqui que ensinou Castañeda. Lembrei-me disso quando atrás de mim já crescia a noite e à frente, o poderoso astro-rei ia mergulhando na terra, atravessando a densa bruma, cedendo lugar à lua cheia e prateada que vinha atrás. Sol e Lua, Shiva e Shakti, consciência e força-energia.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
"Pe em Deus e fe na tabua"
De novo estamos de pe na estrada, deixando o nosso porto seguro em Rishikesh, para nos defrontar com o desconhecido, himalayas, trilhas com neve, gente e habitos diferentes, onibus com motoristas loucos, viemos para o Nepal para descansar dos estudos na India. Buscar novas aquisicoes, sair um pouco do Yoga hindu e buscar o Yoga budista, a cultura tibetana e das montanhas. Um sonho antigo tal qual a viagem para a India, mas como todo sonho, sentimos aquele medo antes da concretizacao, aquele medo de morrer no mar quando ja estamos vendo a praia. Refiz as malas da aflicao horas antes de seguir viagem, o que nos esperava? Atravessar fronteiras de um pais por terra e sempre complexo. Ja estavamos acostumados e instalados na India, com uma rotina organizada, saudavel para as criancas e "segura" para os meus padroes. O Nepal era uma incognita. Portanto, nova confrontacao comigo mesma para superar ansiedades, medos e expectativas. Quando era sozinha, viajava sem problema, me jogava nas situacoes ate imprudentemente, sem medo dos maus resultados... mas agora, tres criancas e tudo que isso implica, alimentacao, saude, agua potavel, educacao, diversao, exemplos para se dar...muda tudo quando nossas acoes nao trazem resultados apenas para nos. Mas, what to do? Se e necessario prosseguir, " Fe em Deus e pe na tabua". E estamos aqui no Nepal, ainda bem...
Cris
Vai com Deus
Muitas pessoas acham que estao com Deus, mas na verdade estao com seus medos, suas angustias, suas acomodacoes, seus condicionamentos. Quem esta com Deus se reconhece no olhar curioso, questionador, desejoso de conhecer e desbravar os mais reconditos lugares... especialmente em si mesmo. E, nessa aventura, reconhecer o si mesmo nas pedras que habitam o rio que corre do outro lado do planeta.. no sorriso e nas lagrimas das pessoas que se banham e rezam juntas neste rio. Estar com Deus `e perceber nossas barreiras e desmistifica-las. ("A fe que remove montanhas"...) O viajante muitas vezes ainda sente medo... mas ele nao deixa de seguir em frente. Quando percebe em si a impotencia, reconhece em Deus, a onipresenca... e prossegue com Ele.
Cris
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Olhe bem as montanhas
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Massagem para a criatividade
Voltando as aulas, minha energia criativa que estava adormecida parece que despertou depois de uma semana de cobaia de massagens e terapias no curso de Ayurveda meu e da Flora. Tanto esfregao que sacudiu a poeira (e como tinha poeira no corpo, chegava a dar pocinhas escuras de tanta poeira que tem nesse lugar, e olha que tomo banho "quase" todos os dias!
Cris
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
O melhor filme e ao vivo e a cores
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Para alem dos muros de Belo horizonte
Sente em um lugar bem alto, o mais alto que puder chegar, e observe a vista, a maior area de alcance que seus olhos puderem vasculhar...Qual e o limite de seu horizonte? Quais sao os limites que voce criou a fim de que seus olhos nao enxergassem alem desse horizonte?
Alem nao e possivel enxergar, mas sempre e possivel ir e chegar, e isso se consegue atraves da fe.
Cris
Pausa nessa ladainha
Vou dar uma pausa nessas reminiscencias de viagem e quebrar essa minha linha de tempo imaginaria. Outros da familia estao querendo postar tambem, sobre outros assuntos e eu nessa monotonia e nessa demora em postar mais assuntos. Estamos ha quarenta dias em Rishikesh, e eu ainda estou la na montanha dos macacos, contando "causos" de fogueira e nada do Yoga indiano. Semana que vem retorno para contar sobre outros passos e percalcos no percurso ate Rishikesh e comecaremos entao a conversar sobre Yoga, em realidade.
Um abraco
Rodrigo
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Estacao Monkey Hill

foto da "savana indiana" de monkey hillOs tres dias que eu e Damiao passamos no alto da montanha, dormindo na rede e comendo chapatis (pao indiano feito na chapa) assados na pedra quente, com manteiga, foram maravilhosos, bem melhores para mim que tudo que ja tinha vivenciado na India ate entao.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
A ida para Lonavla nao foi estrategica simplesmente pelo periodo curto para estudar antes das criancas chegarem, mas tambem pelo fato de que meu irmao estava acampado nas montanhas ao redor da pequena cidade, que tem alguns antigos santuarios e monasterios budistas, que foram construidos e esculpidos diretamente na rocha, dentro de cavernas e ja estao abandonados ha seculos. Queria encontrar meu irmao depois de um mes sem ve-lo.
No Ashram nao vi nada de excepcional, nada alem do normal, o bom e velho Hatha-Yoga basico. Praticas com enfoque em ciktisa, palavra em sanscrito que significa tratamento, inspiradas no Ayurveda e Yogaterapia. Para mim foi valido, ja que nao esperava que em tao pouco tempo fosse ver algo mais que o basico, e foi suficiente para poder experimentar pela primeira vez o ambiente de um Ashram, que e o local ou comunidade de ensino onde as pessoas moram, trabalham e estudam com seus mestres e professores
Infelizmente nao tenho fotos das cavernas, pois eu nao tive tempo de conhecer, e meu irmao estava sem maquina na epoca, mas quem sabe no retorno ao sul da India, tenho tempo de tirar fotos.
Voltando a dar noticias
Vou comecar pelo que aconteceu no inicio da viagem, em Puna e Lonavla, duas cidades do estado de Maharashtra, proximas da horripilante megalopole Mumbai.
Cheguei em Puna com o intuito de estudar durante um mes com os filhos do Iyengar, que e na minha opiniao o maior professor de Hatha-Yoga (acessivel) ainda vivo, mas como minha mulher chegaria com as criancas em dezesseis dias, desanimei do objetivo, pois nao me agradava a ideia de instala-los em Puna. Alem do mais, eu iria retornar a esta cidade no final da viagem para estudar Ayurveda por cinquenta dias e teria tempo de sobra para praticar no centro do Iyengar, sem estar com as criancas no periodo de marco/abril. Com essas conclusoes, mudei os planos e resolvi ir para Lonavla, onde ha o famoso instituto Kaivalyadhama, fundado pelo swami Kuvalayananda, provavelmente o primeiro preceptor a introduzir mudancas no ensino de Yoga, criando aulas em grupo, na decada de 20, acredito. Durante milenios o Yoga foi ensinado pelo sistema de parampara, a sucessao discipular, onde um mestre ensina seus conhecimentos a um discipulo, ou filho e dessa forma o conhecimento foi transmitido atraves das geracoes, construindo as tradicoes de Yoga e de outros sistemas de filosofia da India.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Elemento perigoso à solta

Veja o cabelo assanhado e o número da ficha criminal do elemento. E olha que ele tinha só um mês e meio nessa época.
Esse vai ser nosso guarda-costas, nosso protetor aqui na Índia.
Manifesto inicial

Segundo o dicionário Michaelis, loucura quer dizer : " Estado de quem é louco. 2 Desarranjo mental que, sem a pessoa afetada estar ciente do seu estado, lhe modifica profundamente o comportamento e torna-a irresponsável; demência; psicose. 3 Ato próprio de louco. 4 Insensatez. 5 Aventura insensata. 6 Grande extravagância."
Não consigo conceber uma viagem de estudos em busca de auto-conhecimento, mesmo com todos os riscos que possa implicar, como "aventura insensata", ou comportamento irresponsável.
O conhecimento só pode ser adquirido através do estudo, da observação adequada e da experiência. Vamos à Índia atrás de estudos, da obervação e da experiência direta.
Qual é o preço da experiência? Os homens a compram com uma canção?
Adquirem sabedoria dançando nas ruas? Não, ela é comprada pelo preço
de tudo que um homem possui , sua casa, sua esposa, seus filhos.
A sabedoria é vendida num mercado sombrio onde ninguém vem comprar,
e no campo infecundo que o fazendeiro ara em vão por seu pão
William Blake
Em tempos de Índia pop, Yoga fast-food e modismos de espiritualidade, quando os enfeites e adornos indianos conquistam as casas de madames e work-shops caríssimos com gurus indianos são lotados em todos as cidades em suas longas turnê, resolvemos transferir nossa casa, nosso lar durante uns meses para a Índia, a fim de ver com os próprios olhos (pratyaksha) - sem a intermediação de pacotes turísticos que camuflam - a sujeira, a miséria, as bizarrices e idiossincrasias, mas também ver e conhecer a gigantesca espiritualidade do subcontinente indiano. Digo gigantesca, pois é muito ampla em opções e diversidade e também devido à quantidade de tipos de conhecimento que conduz à iluminação.
Viemos atrás dos grandes sábios que ainda existem por aqui, para pelo menos poder "respirar" o mesmo ar que eles, mesmo que poluído e ressecado em algumas cidades. Viemos atrás dos conhecimentos tradicionais, que ainda não foram adaptados para o gosto e o modus vivendi ocidentais. Exatamente por isso que o professor de Ashtanga vinyasa Yoga que vos fala, não vai à meca do Ashtanga, Mysore, praticar com o superstar do método.
Não temos tempo, energia, disposição, e nem dinheiro para buscar o brilho falso da Índia. Viemos em busca de mestres autênticos e verdadeiros, e também do contato com o povo, tão repelido pelas pessoas, segundo observo em relatos de viagem para a Índia, em blogs de europeus e norte-americanos e até mesmo de professores brasileiros. Observo um grande repúdio das pessoas em relação aos serviços na Índia, aos hábitos do povo indiano, uma grande crítica à miséria, sujeira, doenças, falta de progresso, como se eles tivessem culpa de tudo. Como se nós do ocidente não tivéssemos grande culpa pela desgraça do oriente, por causa de nossa exploração econômica, da sustentação desse sistema patético e frágil e da maldita globalização. Nós também somos responsáveis, e sendo assim, não adianta vir para a Índia se internar em ashrams ou spas e querer fechar os olhos, fingindo que a Índia é somente espiritualidade e cheiro dos incensos nag champa.
Viemos para a Índia com nossos filhos, tomando evidentemente todos os cuidados, tal qual tomaríamos em casa, porque não achamos que os filhos dos indianos sejam piores dos que os nossos. Se eles aqui vivem, é possível trazer os nossos para experimentar e aprender também.
Isso não quer dizer, que os inevitáveis problemas que surgirão não vão nos preocupar ou nos tirar do sério, mas sim que vamos tentar ter compreensão com as dificuldades - ou o que julgamos sê-las - já que somos nós que viemos para cá, por nossa própria escolha e esforço, então de nada vale reclamar do povo indiano. Quem viaja pela Bahia tem motivos semelhantes e constantes para se irritar, e todo mundo volta para a Bahia, e lá não tem conhecimento libertador, mas sim axé music em cada esquina, comida ruim e muitas praias feias (entre uma ou outra bonita), todas supervalorizadas pela mídia.
Para piorar a situação desse quadro, a rede globo dá um presente de grego para os professores de Yoga e terapeutas ayurvêdicos filmando uma novela sobre a Índia que será lançada ano que vem. Que castigo ! O que será que nos reserva para quando voltarmos ? Será que vamos voltar e encontrar todo mundo dançando as ridículas coreografias dos filmes indianos de Bollywood? Que tipo de sacanagem vão fazer com a cultura milenar desse país ?
Ninguém merece ! Por isso mesmo resolvemos ir logo para a Índia, pois quanto mais tempo levar, mais o conhecimento verdadeiro e os mestres verdadeiros vão se escondendo dessa invasão da "cultura ocidental", que vai dominando a Ásia por todos os lados, comendo as culturas antigas pelas beiradas.
Essa é uma das respostas, à pergunta sobre o motivo pelo qual resolvemos vir agora, com uma criança de 11 anos, uma de três e um bebê de três meses. Não sei que Índia, meus filhos podem conhecer, quando vierem por sua própria conta, não sei se vai ser possível encontrar facilmente locais apropriados para estudar, ou se ainda vai existir a natureza local. Embora o neném não aproveite ainda a viagem, certamente vai ser maravilhosa para as duas meninas. Evidente que nossos filhos não estão acostumados com o "ambiente" indiano, mas por outro lado, podemos dizer, que não criamos nossos filhos pelos padrões convencionais.
Mas voltando ao assunto, o que é avadhuta, e o que tem a ver com uma família de malucos viajantes?
Avadhuta é o protótipo indiano do louco. E como na Índia antiga, tudo se relacionava de alguma forma à espiritualidade, podemos dizer que o avadhuta é o louco santo, o "louco de Deus", aquele sujeito que se livrou de todas as convenções e atitudes que o caracterizam, dentro das normas de sua sociedade, como cidadão normal. O avadhuta, em busca de sua libertação espiritual, ignora tudo aquilo que lhe parece um fardo, todas as máscaras sociais, e simplesmente pára de se importar com a opinião alheia, as regras estabelecidas, o status quo. Ele deixa fluir de dentro, aquilo que é autêntico. O avadhuta se livra de seus condicionamentos, suas aspirações sociais e nega-se a se corromper para ser aceito. A palavra quer dizer literalmente "que lançou fora", alguém que "se livrou" das correntes que o caracterizavam como homem normal. Mas suas aspirações sempre são o conhecimento e o domínio de si mesmo, além do ensino pelo exemplo. Na concepção do avadhuta, as transgressões de regras que são humanas, mas que não espelham as leis universais, é uma forma de libertar-se de vícios e condicionamentos.
Como temos bastante identificação com a cultura do avadhuta, e como realmente não aguentamos mais ouvir que somos loucos, principalmente agora, por estarmos indo estudar na Índia com as crianças, resolvemos então homenagear os santos loucos da Índia, batizando o blog da viagem de : "Caravana Avadhuta". Que as aspirações espirituais e metafísicas desses buscadores nos inspirem a transgredir o senso comum em busca do verdadeiro aprendizado. Não somente nessa viagem, mas sempre, na grande jornada que é a vida.
P.s: Já que nos deram a fama, agora vamos deitar na cama. Viemos com Deus e ao invés de nos agorar, pedimos que torçam por nós.